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Temáticos · Baleias

Avistamento de baleias

Foto: Jorge Gonzalez

Ver a baleia-franca-austral de uma embarcação é uma experiência única, que deve ser vivida pelo menos uma vez na vida. Seus saltos e estrondos na água, suas caudas e seus movimentos nos ensinam diariamente hábitos e costumes.

É preciso chegar bem agasalhado a Puerto Pirámides e, se possível, com roupa corta-vento. De lá, já nos primeiros dias de maio, começam a sair os passeios de avistamento, aproximadamente às 10, 12, 14 e 16 horas.

Embarcação
Foto: Jorge Gonzalez

De Puerto Madryn, pegamos a rodovia provincial nº 2 rumo ao istmo Carlos Ameghino, única ligação entre a península e o continente. Deste ponto geográfico, que vale a pena conhecer, avistam-se os dois golfos que o cercam: o Golfo San José, ao norte, e o Golfo Nuevo, ao sul, para onde nos dirigíamos.

Depois de entrar na Reserva de Fauna, a sensação de estar em breve na imensidão da Península Valdés começou a ganhar espaço entre os presentes.

O vento e o cheiro de mar nos confirmaram que em questão de minutos estaríamos em Puerto Pirámides, único povoado de toda a península, de onde saem as expedições para o famoso avistamento de baleias da Patagônia. Desde Puerto Madryn, foram quase 100 quilômetros percorridos.

Puerto Pirámides
Foto: Jorge Gonzalez

Milhares de visitantes de todo o mundo se encontram entre os meses de maio e novembro para observar um dos espetáculos mais majestosos da natureza: o avistamento da baleia-franca-austral.

Chegam com suas câmeras fotográficas e filmadoras, ansiosos para se aproximar dos gigantescos cetáceos e conseguir "a fotografia" do salto ou das enormes caudas erguidas.

E lá estávamos nós, com capas impermeáveis e coletes salva-vidas. Antes de a lancha entrar na água, cada um dos presentes se misturou à paisagem que os avistamentos oferecem. Muito lentamente, a embarcação passou a fazer parte das águas profundas e salgadas do mar.

Avistamentos
Foto: Jorge Gonzalez

Não demoramos muito para ver a primeira baleia, que se aproximou de nós curiosa, mas ousada.

Para nossa surpresa, uma colossal massa escura emergiu bruscamente à superfície da água para cair de novo com um estrondo inacreditável. Estava nos mostrando toda a sua grandeza.

Baleia-franca-austral
Foto: Jorge Gonzalez

Enquanto observávamos o espetáculo, o guia nos contou algumas das características mais importantes destes grandes cetáceos. A forma como movem o corpo, os movimentos das caudas, como nadam, o que é realmente o jato de água que sai para cima como um spray, tudo.

"A baleia-franca-austral tem o corpo curvado e não possui nadadeira dorsal. As fêmeas adultas medem entre 13 e 16 metros, enquanto os machos chegam a apenas 12. Os adultos podem pesar entre 30 e 40 toneladas", explicou o guia.

"Na boca, que tem forma curva, ficam, presas à mandíbula superior, cerca de 260 placas córneas ou barbatanas, chamadas originalmente de baleen, de onde vem o nome baleia", acrescentou.

Cauda de baleia
Foto: Jorge Gonzalez

Continuamos navegando. De repente, outra baleia ergueu sobre a água sua gigantesca cauda, de uns cinco metros, e ficou de cabeça para baixo durante vários minutos, entregue aos caprichos dos ventos.

Depois tivemos a sorte de observar uma mãe com seu filhote. A gestação dura doze meses e, por igual período, a fêmea amamenta o recém-nascido, que no momento do parto mede cinco metros e meio.

Quando estes animais estão em idade de reprodução, voltam, em intervalos de três anos, à área da Península Valdés em busca de águas seguras e tranquilas para dar à luz outro filhote.

Mãe e filhote
Foto: Jorge Gonzalez

Na parte superior da cabeça têm umas calosidades que são o seu "selo de identificação", como as nossas impressões digitais, por assim dizer. E quem as conhece ou as vê com frequência as distingue por essa característica.

Soubemos que atrás das calosidades ficam os espiráculos, os orifícios pelos quais o animal respira e pelos quais expulsa violentamente o ar dos pulmões. Popularmente se fala de um "jato de água" que sai do dorso, mas na verdade é o ar que exalam por esses orifícios, uma espécie de narinas.

Calosidades
Foto: Jorge Gonzalez

O tipo de avistamento feito aqui é singular, já que as embarcações não podem se aproximar das baleias com o motor ligado: devem chegar até um ponto e depois esperar que os cetáceos se aproximem.

Para evitar perturbações durante a época de cria e reprodução, a navegação só é permitida no Golfo Nuevo e para embarcações de empresas de turismo, que devem ter a devida autorização da Prefectura Naval Argentina. O avistamento é totalmente regulamentado para proteger a integridade das baleias-francas, declaradas Monumento Natural em 1984.

Sobre as baleias é possível contar milhares de histórias e curiosidades, mas é fundamental que o visitante tenha a sua própria experiência. Como dissemos no começo deste texto: o avistamento da baleia-franca-austral de uma embarcação é uma experiência única, que deve ser vivida pelo menos uma vez na vida.

Avistamento
Foto: Jorge Gonzalez
Baleia-franca-austral

Ar ou jato de água?

A pergunta geralmente é feita pelos pequenos e muitas vezes não é bem respondida pelos adultos. Como as baleias-francas respiram? A baleia-franca exala o ar em forma de "V", e esse ar pode subir até 3 metros de altura, o que se vê de longe.

Expirar desse modo se deve aos dois orifícios respiratórios externos, ou espiráculos, localizados na parte superior e posterior da cabeça, que se fecham hermeticamente ao mergulhar para evitar a entrada de água nas vias respiratórias. O ar expelido se condensa pela diferença de temperatura. Isso deu origem à crença errônea de que as baleias lançavam jatos de água. Essa forma de sopro facilita sua identificação a grande distância, uma vulnerabilidade natural que no passado favorecia os caçadores de baleias.