Passeios e excursões · Puerto Pirámides
Terra de pinguins
Texto: Karina Jozami · Fotos: Eduardo Epifanio
Visitamos os campos da estância San Lorenzo, que chegam até a costa do mar e abrigam uma importante colônia de pinguins-de-magalhães.
Bem cedo pela manhã, Víctor, responsável pela gestão ambiental dos empreendimentos privados Estancia San Lorenzo e Faro Punta Delgada, veio me buscar. Tínhamos planejado conhecer a colônia de pinguins-de-magalhães que fica dentro da propriedade da estância e depois iríamos até o hotel de Punta Delgada para visitar a colônia de elefantes-marinhos.







A estância San Lorenzo em dados
Uma estância com história
No caminho, Víctor me contou que San Lorenzo, escolhida como área protegida modelo, pertencia à família Machinea, que se instalou na Península Valdés em 1906. Todo o campo tem uma superfície de 5.134 hectares, com 4.600 metros de costa sobre as águas do golfo San Matías.
No início, esteve ligada à pecuária e, anos depois, voltou-se para a caça de leões-marinhos.
Dos caçadores de leões-marinhos à conservação
Entre 1918 e 1960, a caça e a exploração de leões-marinhos-de-um-pelo foram a principal atividade da região. Sua gordura era aproveitada para a produção de óleo de uso industrial e o couro, para artigos de couro. Terminada essa etapa, o campo se dedicou exclusivamente à criação de ovelhas.
Mas depois, para reverter a crise do mercado ovino, a estância voltou a aproveitar o potencial de seus recursos naturais, desta vez voltados à divulgação educativa e turística, ao estudo científico e à conservação.
O lugar escolhido pelos pinguins
Ao chegar, fomos direto conhecer a pinguinera. Orgulho da estância San Lorenzo, esta é uma colônia de reprodução e conta com uma média de aproximadamente 200.000 exemplares. Como em todas as temporadas, os pinguins começaram a chegar em agosto e partirão em março. Neste lugar cumprirão grande parte de seu ciclo de vida: os machos formarão o ninho e buscarão parceira, depois serão postos os ovos e, no momento da nossa visita, eles se revezavam para chocar os ovos até o nascimento dos filhotes.
Os dois pais se encarregam da alimentação dos filhotes, que depois formarão creches e trocarão as penas até estarem prontos para entrar no mar.
A trilha entre os ninhos
Percorremos a trilha traçada sobre uma das áreas da colônia, ocupada de um lado e de outro por ninhos que chegam a até 1.200 metros de distância do mar. Os pinguins, acostumados à presença humana, não se incomodavam ao nos ver passar.
O pesquisador do Centro Nacional Patagónico (CENPAT), Alejandro Scolaro, foi pioneiro no estudo desta colônia, que teria começado a se formar na década de 1970.
Junto ao mar
Quando nos aproximamos da praia, conseguimos avistar um pequeno grupo perto da água. Segundo os estudos realizados em San Lorenzo, esses pinguins se alimentam principalmente de anchovas e, depois do período de reprodução, pescam também pequenas lulas. Bem perto sobrevoavam alguns petréis e gaivotas, dois dos principais predadores dos ovos e dos filhotes de pinguim.
Ao refazer o caminho, Víctor me mostrou o setor onde estão os restos das caldeiras que eram usadas pelos caçadores para extrair a gordura dos leões-marinhos abatidos. Em um mesmo lugar é possível entender o passado e o presente de um empreendimento patagônico que continua crescendo por meio de seus recursos naturais.
Sugestões
Chegar perto do meio-dia e ficar para almoçar um bom cordeiro assado. A estância fica aberta de setembro a abril.
A apenas 17 km da reserva de fauna Punta Norte, a partir de Puerto Pirámides percorrem-se 60 km pela rodovia provincial 3 até a estância.



















