Passeios e excursões · Villa La Angostura
Excursão lacustre ao Bosque de Arrayanes
Texto: Karina Jozami · Fotos: Eduardo Epifanio
Conta a lenda mapuche que Maivé, ao vê-lo, se apaixonou perdidamente por ele. O belo ketri, ou arrayán, forma um bosque único na península de Quetrihué.
No sudeste da península de Quetrihué fica um tesouro natural do Parque Nacional Los Arrayanes. Às margens do lago Nahuel Huapi, estendem-se cerca de 12 hectares de uma magnífica concentração de arbustos mirtáceos gigantes, mais conhecidos como arrayanes. Do mapuche ketri, “arrayán”, e hué, “lugar”, o bosque da península tem características que o tornam algo único no mundo: seus exemplares ostentam mais de 15 metros de altura e 400 anos de idade.






O Bosque de Arrayanes em dados
O arrayán
Tão antigos quanto belos, seus troncos largos são recobertos por lâminas finas e suaves que compõem a casca fria, tingida de uma delicada cor de canela.
No verão, suas pequenas e delicadas flores brancas vestem os galhos, para dar lugar no outono aos frutos comestíveis de cor preto-arroxeada, usados pelos indígenas para elaborar chicha (bebida alcoólica).
A navegação até Quetrihué
Navegar pelas águas tranquilas do lago até alcançar este canto mágico surpreende e encanta em qualquer época do ano. A bordo do Futaleufú, o catamarã que zarpa do porto de Villa La Angostura, percorre o Nahuel Huapi pela baía Mansa. Na área norte da península crescem ciprestes, coihues, radales e ñires, além de notros, michay, chapeles e ciruelillos, que formam matagais fechados pela taquara colihue. Nas margens do lago descansam mergulhões e socós-dorminhocos, que se observam durante o percurso, enquanto se descobrem as baías Balsas, Cumelén e Manzano, até chegar ao porto de Quetrihué.
As trilhas do bosque
Assim que se desce do catamarã, o encanto dos arrayanes marca a paisagem. Como nos contos fantásticos, as árvores imponentes, com suas formas caprichosas de um chamativo marrom-avermelhado, parecem cenários de duendes e elfos. Para não interferir no frágil equilíbrio da natureza, as trilhas construídas em plataformas de madeira marcam o percurso, feito com os guias, que mostram as diferentes etapas do crescimento do arrayán e sua convivência com outras espécies vegetais e animais.
Na trilha, cruzam-se pequenos cursos d’água que vêm da lagoa Hua-Huan, cujo nome deriva de uma árvore nativa com aroma parecido ao do louro.
Também se destaca a lagoa Patagua, que leva o nome de outra espécie de árvore típica de áreas pantanosas, conhecida por sua casca que, reduzida a pó, é usada como cicatrizante na medicina popular. Neste espelho d’água convivem biguás, patos-vapor e galeirões com outras aves, como o pica-pau, o sabiá-patagônico, rayaditos e chucaos, que se deixam ver se se caminha em silêncio.
A Casita de Té
O caminho se embrenha no bosque até uma cabana de madeira construída em 1933. A Casita de Té é também conhecida como a casinha do Bambi, porque se acredita que foi neste lugar que Walt Disney se inspirou para criar esse maravilhoso e terno personagem. Enquanto brinca com as lembranças da infância, a casa convida a tomar um chocolate quente com uma fatia de uma deliciosa torta.
A magia e a beleza do lugar deixam sua marca, que acompanha a volta até Villa La Angostura. Como o despertar de um lindo sonho de infância.
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Sugestões
Uma opção interessante é fazer a excursão lacustre e depois voltar de bicicleta pelo caminho principal, cruzando toda a península. Lembre-se de que é uma área protegida e, como tal, é preciso respeitar as normas estabelecidas pelos Parques Nacionais para não alterar o meio ambiente.
A excursão lacustre sai do Porto de Bahía La Mansa com destino ao porto de Quetrihué. Também é possível chegar pela trilha principal do Parque Nacional Arrayanes, que cruza toda a península até chegar ao bosque.



















