Passeios e excursões · Ancud

A ilhota virgem

Texto: Mónica Pons · Fotos: Eduardo Epifanio

Uma ilhota virgem onde vivem centenas de pinguins e leões-marinhos. Um passeio pela natureza, guiado por moradores experientes que vivem da pesca e do turismo.

Depois de uma recomendação recebida em Ancud, decidimos visitar a península de Lacuy, a 26 quilômetros dali. Na rodoviária, pegamos um ônibus rural lotado de moradores locais, que ia para Quetalmahue. Éramos os únicos turistas.

Barcos de pescadores na praia, com as ilhotas contra a luz
Barcos de pescadores na praia, com as ilhotas contra a luz
O sol entre os penhascos da praia de Puñihuil
O sol entre os penhascos da praia de Puñihuil
Um barco encalhado na praia diante das ilhotas de Puñihuil
Um barco encalhado na praia diante das ilhotas de Puñihuil
Dois visitantes caminham pela praia diante das ilhotas
Dois visitantes caminham pela praia diante das ilhotas
Gaivotas na beira da praia, entre as ilhotas
Gaivotas na beira da praia, entre as ilhotas

As ilhotas de Puñihuil em dados

OndeBaía de Puñihuil, no litoral do Pacífico de Chiloé, a 28 km a sudoeste de Ancud: Monumento Natural Islotes de Puñihuil desde 1999
EspéciesPinguins-de-humboldt e pinguins-de-magalhães, leões-marinhos e gaivotas
TemporadaPinguins-de-humboldt e pinguins-de-magalhães, de dezembro a março
DuraçãoMeio dia
DificuldadeBaixa
Tipo de passeioContemplativo

O alemão eufórico

Íamos para uma região de pescadores, coletores de algas e pequenos agricultores. Depois de aproximadamente uma hora, descemos em um cruzamento, caminhamos uns 400 metros e chegamos à praia de Ahui, a nordeste da península, onde era possível acampar. Um lugar de uma tranquilidade encantadora, de onde podíamos ver a cidade de Ancud.

Montamos nossa barraca e nos preparamos para descansar admirando a vista. Em meio àquela paz, apareceu um homem dizendo aos gritos que devíamos acompanhá-lo para que nos apresentasse uns moradores incríveis, que o tinham levado para passear em uma ilhota virgem com centenas de pinguins e leões-marinhos.

A caminho do desconhecido, com um desconhecido

Surpresos, escutamos com atenção aquele senhor, cujos olhos brilhavam de alegria ao nos contar sua experiência. Quase chegando a ser inconveniente, suas palavras eram tentadoras, e sua insistência fez com que nos olhássemos e finalmente subíssemos em sua caminhonete. Esse senhor é um alemão que mora há anos em Santiago (Chile). Enquanto dirigia, ia nos contando detalhes do passeio que tinha feito no dia anterior. Crescia em nós a vontade de conhecer aquele lugar que o alemão descrevia com tanto entusiasmo.

Seguimos primeiro em direção a Quetalmahue e dali pegamos a estrada que margeava a costa do Pacífico rumo ao sul, até chegar à região de Mar Brava (a 21 quilômetros de Ancud). Ali fica a praia de mesmo nome, que mostra a fúria do oceano Pacífico. Em seu extremo sul está a Piedra del Run, testemunho natural cravado em meio a ravinas vertiginosas. Deve seu nome ao ruído do vento sul junto com as ondas do mar ao baterem na enorme pedra.

Descemos perto dali. O alemão fez as vezes de anfitrião e nos apresentou aos moradores. Um deles era o responsável por fazer o passeio. Combinamos o preço e, sem mais preâmbulos, partimos.

Rumo à desejada ilhota

Seguimos mais 4 quilômetros para o sul, até Puñihuil, onde, em uma linda baía, há três ilhotas muito próximas da praia que abrigam as pinguineiras. Dali subimos no pequeno barco de madeira rumo a um dos maiores tesouros naturais da comuna.

Viajava conosco o alemão, que obviamente voltava, junto com suas filhas e um amigo. A água de um azul profundo criava um estranho fenômeno que o pescador nos descrevia: quando o oceano Pacífico se encontra com o mar interior, formam-se ondas que surgem de repente pela diferença de altura entre os dois, maior que 6 metros. O fenômeno se repetiu várias vezes e era incrível ver como, diante de nós, o mar crescia de repente e nos elevava.

Duas espécies de pinguins

Segundo ele nos contava, nessas ilhotas fazem ninho pinguins-de-humboldt e pinguins-de-magalhães, que convivem em um mesmo ecossistema entre dezembro e março. Duas espécies que chegam de muito longe e lutam pacificamente pela sobrevivência, em perfeita harmonia. E apenas um homem vivia na ilhota para onde íamos: era o encarregado de cuidar dela, e ninguém mais podia ficar ali.

No trajeto, o alemão nos prometia que desta vez, sim, tocaria um pinguim, já que na vez anterior tinha tentado sem sucesso. Agora estava obcecado pela ideia. O pescador sorria ao ouvi-lo e depois, calado, continuava pilotando o barco com uma tranquilidade admirável. A viagem, de uns quarenta minutos, passou rapidíssimo. Entramos em uma pequena baía onde o barco ancorou e começamos a descer.

Pinguins

O alemão gritou de repente: “Ali estão! Pinguins!”. Foi o primeiro a descer, estava enlouquecido.

Havia centenas de pinguins na praia, a uns 150 metros de nós, com aquela tranquilidade que os caracteriza quando estão em terra. Enquanto íamos descendo um por um, com os sapatos na mão para não molhá-los, o alemão, sem esperar, começou a correr para tocá-los. Obviamente, à medida que se aproximava, eles iam se jogando na água.

Com a câmera fotográfica na mão, comecei a correr descalço sobre as pedras (uma sensação que recomendo não experimentar), para poder fotografá-los antes que mergulhassem por completo.

Uma corrida até a água

Enquanto corria e me aproximava, eu os via se jogando na água; pareciam disputar uma corrida. Era maravilhoso vê-los mergulhar e nadar a uma velocidade surpreendente. Os pinguins podem alcançar na água uma velocidade aproximada de 45 quilômetros por hora. Cheguei tarde: poucos pinguins continuavam em terra e o alemão tinha algumas marcas das bicadas que tinha levado.

As outras pessoas chegaram pouco depois. Ficamos observando-os por um bom tempo, já de longe.

Mas o passeio não terminou aí. O pescador nos convidou a subir de novo no barco, para nos levar a conhecer outros habitantes da ilhota: os leões-marinhos.

A comunidade barulhenta

Começamos a contornar a ilhota e avistamos centenas de leões-marinhos que descansavam deitados sobre as grandes rochas. Dividiam o lugar com centenas de gaivotas, algumas sobre as pedras e outras voando.

À medida que continuávamos nos aproximando, ouvimos os sons que os leões-marinhos emitiam, muito fortes e variados. Um espetáculo fascinante, que ninguém deveria perder, ainda mais quando começaram a se jogar na água, um atrás do outro, sem parar. Nadavam para se aproximar do barco, para nos observar. Claro! O que estávamos fazendo ali? Eles eram mais curiosos do que nós.

O pescador desligou o motor e nos aproximou o máximo que pôde das rochas. Os leões-marinhos continuavam se jogando e chegando cada vez mais perto do barco. Era impressionante, não conseguíamos acreditar: suas cabeças saíam da água, uma e outra e outra… havia de 20 a 30 deles, muito perto de nós, a apenas dois metros.

Cara a cara com os leões-marinhos

Enquanto isso, continuávamos ouvindo os sons curiosos dos que permaneciam sobre as rochas.

De vez em quando, o pescador ligava o motor e nos afastava das rochas, enquanto a maré insistia em nos aproximar delas.

Todos como crianças, nós os observávamos e tirávamos fotos, sem querer saber que tínhamos de voltar. Queríamos que aquele momento maravilhoso durasse mais.

A hora da volta

Mas tinha chegado o momento de retornar à terra firme. Cada um se despediu, à sua maneira, dos pinguins, dos leões-marinhos e da ilhota que nos tinha mostrado tantas maravilhas.

A viagem de volta foi silenciosa; cada um relembrava para si o que tinha vivido e guardava dentro de si aqueles momentos inesquecíveis.

O regresso

A volta seria mais longa, segundo nos dizia o pescador, por causa da maré. Ela tinha mudado, e o mar não estava tão calmo como de manhã, mas nada ofuscaria a nossa experiência.

O ponto alto do passeio foi quando, já perto da baía onde desembarcaríamos, o pescador nos deixou pilotar o barco por um tempo, enquanto o vento forte batia em nossos rostos. Já começava a entardecer…

A proteção das ilhotas

A Fundação Alemã Otway trabalha desde 1997 em um projeto de proteção e conservação natural das pinguineiras e não permite o desembarque nas ilhotas. São feitas, sim, navegações guiadas por voluntários da Fundação ao redor das ilhotas.

É possível fazer a navegação com pescadores artesanais que oferecem o percurso nos povoados de Puñihuil e Quetalmahue.

Sugestões

Abasteça o carro em Ancud. Há asfalto só até Quetalmahue.

Saindo de Ancud pela avenida costeira em direção a Lechagua (rumo ao oceano Pacífico), após 14 km pega-se a estrada à esquerda, em direção a Pumillahue e à praia de Puñihuil. Antes de Pumillahue, é possível seguir por uma estrada irregular de cascalho e areia que leva à praia de Mar Brava (a 21 km de Ancud).

Veja tambémHotéis e hospedagem em Ancud

Passeios em Ancud

Arriba del Pacífico Con Santiago Vidal ya habíamos volado sobre los volcanes de Chile y sellado en las alturas una amistad incondicional. A los dos nos fascina volar. Es… Ver passeio completo El espíritu de Chiloé Una visita al Museo Regional de Ancud permite acercarse a los principales testimonios de la identidad chilota. Ver passeio completo Iglesias de Chiloé Las iglesias de Chiloé se caracterizan por su óptimo aprovechamiento de los recursos del medio ambiente -en particular de la madera-, por su diálogo … Ver passeio completo La clave de la isla Desde el principio, Ancud es la principal ciudad de Chiloé. Te mostramos los lugares que marcaron su papel protagónico. Ver passeio completo Una comida especial Una comida elaborada de una manera muy especial. El curanto al hoyo, plato típico de Chiloé, se cocina bajo tierra durante largas horas. Ver passeio completo Trilha de Chepu ao Parque Nacional Chiloé Em Puerto Anguay, a 38 km de Ancud (chegam ônibus rurais), a trilha começa com a travessia de barco do rio Chepu, para a qual é preciso contratar o s… Ver passeio completo En las afueras de la Ciudad Saliendo por la Costanera hacia el sur , en el km 7 cruzarás Playa Lechagua, lugar elegido por los pobladores de la zona en verano ya que es la única… Ver passeio completo Pesca en los Ríos Butalcura y Chepu Tendrás 75 km entre ida y vuelta con 35 de ripio para llegar al valle, recorriendo la Cordillera de la Costa hacia el Océano Pacífico, y terminando e… Ver passeio completo Quemchi - Linao - Manao Si estás dispuesto a viajar unos 150 km entre ida y vuelta , podrás recorrer por la costa del mar interior, pasando por profundos golfos y caletas en… Ver passeio completo Un culto a la naturaleza El santuario de aves de Caulín hace honor a su nombre al mostrar una gran diversidad de aves y fauna regional que convive con la pequeña comunidad co… Ver passeio completo

Hotéis e hospedagens em Ancud