Passeios e excursões · Lago Ranco
Lago Ranco a pé: a orla, o cais e a estação onde terminava o trem
Fotos: Cris.tbl · CC BY 4.0 / Jackripper11 · CC BY-SA 4.0 / Carlos Figueroa Rojas · CC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons)
Uma caminhada pela margem sul do lago Ranco para curtir a praia e o cais e descobrir a cidade que nasceu na ponta dos trilhos do ramal que vinha de La Unión.
A cidade de Lago Ranco olha para o lago a partir da margem sul, e o nome do lago vem do mapudungun rew-ko, «água com ondas». Ela não nasceu como balneário: nasceu no fim de uma ferrovia. Quando o ramal que vinha de La Unión chegou à margem, o povoado se chamou primeiro Punta de Rieles («ponta dos trilhos»), depois Tringlo e Pérez Rosales, e em 1941 virou sede do novo município. Este passeio é uma caminhada tranquila pela margem para ler essa história: a orla e sua praia, o cais e o que resta da estação terminal.




Lago Ranco em dados
A orla e a praia
As praias da cidade são seu principal atrativo turístico. Junto às praias há uma feira de artesanato e uma praça de alimentação, e no verão funciona um parque aquático aberto a moradores e visitantes. O lago Ranco é um dos maiores do Chile e em suas margens vivem cerca de 30 comunidades indígenas; a pesca esportiva é uma das atividades mais procuradas.
A estação do fim do ramal
O ramal Cocule–Lago Ranco saía da linha longitudinal ao sul de La Unión, passava por Río Bueno e terminava aqui, no quilômetro 66,4. As obras começaram em 1929 e o trecho até Lago Ranco foi entregue em novembro de 1937. A estação era o ponto de transbordo da madeira e dos produtos do campo de toda a bacia e se conectava com os vapores do lago: um de seus desvios chegava até a área do cais. Tinha prédio de passageiros, armazém, casas para os funcionários, carvoaria, caixas-d’água e um girador para virar as locomotivas.
O último trem de passageiros circulou em 6 de março de 1983 e o transporte de carga terminou em setembro de 1990; depois os trilhos foram retirados. O terreno foi dividido entre vários proprietários, mas continuam de pé o prédio da estação, a casa do manobrista, o armazém, uma casa ferroviária e o cais. A casa do manobrista consta dos estudos de patrimônio do plano urbano de Lago Ranco como imóvel de interesse histórico.
Quando o lago era a estrada
Por volta de 1947 a navegação vivia seu auge. Vapores como o Laja, o Saturno, o Osorno, o Lilí e o Valdivia ligavam Puerto Rettig e Ranco a Riñinahue, Llifén, Futrono, à ilha Huapi e a Puerto Nuevo, levando moradores e mercadorias; vários acabaram destruídos pela força do vento puelche negro.
Dica: Em Lago Ranco chove o ano todo, então leve uma capa impermeável mesmo que saia com sol. Na primavera e no verão é comum uma nebulosidade persistente, o «sur negro», que costuma se dissipar por volta do meio-dia. O terreno da estação hoje é propriedade privada; observe-o da rua.






