Passeios e excursões · Puerto Deseado
Biguás e lobos-marinhos de Cabo Blanco
Texto: Mónica Pons · Fotos: Jorge González
Em um espaço agreste e deserto, uma reserva natural protege lobos-marinhos-sul-americanos e oferece uma bela vista do mar que inclui um velho farol.
Travessias, safáris fotográficos ou simplesmente curiosidade levam a percorrer quase 90 quilômetros desde a cidade de Puerto Deseado para chegar a um promontório rochoso que abriga desde 1977 a reserva natural intangível Cabo Blanco.





Cabo Blanco em dados
Rumo ao norte pelo planalto
Uma excursão estupenda permite chegar perto de um setor costeiro onde se dá apoio à navegação do sul argentino, transformado hoje em ponto turístico de excelência.
Saímos de Puerto Deseado por estradas de cascalho rumo ao norte, atravessando um extenso planalto onde repetidas vezes animais cruzaram de um lado a outro da estrada. Eram guanacos, emas (choiques) e lebres-da-patagônia (maras), curiosos e despreocupados, que, acostumados ao silêncio da região, faziam seus próprios passeios.
Quando o cascalho parecia acabar, apareceu diante de nossos olhos primeiro um farol (uma construção de tijolo vermelho em forma de pirâmide) e depois a maravilhosa costa atlântica. Então o primeiro impulso foi subir naquele balcão rochoso e ver da primeira fila o lugar onde os lobos-marinhos levam sua vida diária sem nenhum estresse.
O ponto de descanso dos lobos-marinhos
O guarda-fauna nos contou: “É um dos pontos de descanso de leões-marinhos e lobos-marinhos mais numerosos do país. Depois de muitos anos de caça e do uso de seu couro e gordura durante os séculos XVIII e XIX, e de uma extinção que se acreditava definitiva, hoje se conseguiu sua lenta recuperação”.
Esses afloramentos rochosos do Cabo Blanco contêm importantes bancos de mexilhões e outros moluscos, que são o alimento dos lobos e das aves marinhas.
Nosso guia nos contou histórias de navegantes a partir de Fernão de Magalhães, que, ao passar por esse triplo promontório rochoso, chamou-o de Cabo Blanco; desde então aparece com esse nome nas cartas de navegação. Há evidências da passagem de povos originários pelo cabo, já que foram encontradas boleadeiras, anzóis, arpões de osso e pontas de flecha.
Do alto do farol
Deixamos esse cenário para ir até o farol construído para ajuda e segurança naval, com alcance luminoso de 14 milhas náuticas, situado a 87 metros acima do nível do mar. Para chegar ao alto do farol, tivemos de subir uns 100 degraus por uma escada caracol e conseguimos uma vista incomparável das ilhotas repletas de lobos ou ursos-marinhos, como costumam ser chamados.
Pudemos avistar mais claramente as colônias de biguás-de-perna-vermelha, cormorões-imperiais e de-pescoço-preto que passavam constantemente sobre nossas cabeças.
Com o mar imenso diante dos olhos, não tivemos pressa de deixar aquele lugar no alto. O faroleiro, a pessoa que cuida do farol, vive ali com sua família, zelando por tão precioso elemento.
Caiaque entre ondas e penhascos
Outros visitantes tinham levado seus caiaques no teto das caminhonetes e se preparavam para entrar no mar, conhecedores dessa atividade entre ondas e penhascos, para a qual é preciso estar em forma e capacitado. Ali se pratica o eskimo roll, um estilo de resgate muito interessante.
As salinas
Quando a excursão pela costa rochosa chegou ao fim, voltamos para Puerto Deseado e ainda faltava conhecer algo incrível: umas salinas de grandes dimensões, onde a paisagem é muito vistosa e diferente do conhecido. Essas salinas foram uma fonte de riqueza em épocas anteriores de grande produção de lã, já que serviam para conservar carnes e couros no início do século XX.
Voltamos depois de quatro horas por uma estrada agreste que nos permitiu respirar o ar do mar em uma longa jornada de sol pleno, diferente de tudo o que tínhamos vivido antes.
Como chegar
O acesso à região é feito pela rodovia nacional 281, asfaltada, até o km 24 e dali pelas rodovias provinciais 14 e 91, ambas de cascalho. No total são 88 quilômetros.







