Passeios e excursões · El Calafate
Caminhando sobre o gelo
Texto: Karina Jozami · Fotos: Gentileza: Hielo y Aventura
O minitrekking no glaciar Perito Moreno já se tornou um clássico e convida você a conhecer esta famosa massa de gelo, com muita emoção, aventura e pouco risco.
Eu esperava ansiosa o micro-ônibus, que passou pontualmente às 8 da manhã.






O glaciar Perito Moreno em dados
Um glaciar famoso
As condições climáticas eram ótimas: uma manhã límpida e quente, ideal para meu primeiro encontro com o glaciar Perito Moreno.
Este glaciar tem vários motivos para sustentar sua fama: durante décadas foi o único de toda a bacia glacial patagônica que não estava em retrocesso, mas permanecia em equilíbrio. Isso significa que sua massa de gelo mantinha uma relação estável entre acumulação e retrocesso; desde 2019, os cientistas registram um retrocesso acentuado.
E, para nosso privilégio, é uma das poucas formações glaciais do mundo que se originam a apenas 1.500 metros acima do nível do mar e que desce até os 200, o que permite um acesso e uma observação invejáveis.
A caminho do glaciar
Mas as surpresas deste emblema austral não terminam aí. A possibilidade de caminhar por sua superfície gelada, que abrange 250 quilômetros quadrados, é uma experiência fascinante. Era para lá que íamos.
Saímos de El Calafate para percorrer os 80 quilômetros que nos separavam do glaciar pela rodovia provincial nº 11, em muito boas condições e com uma bela paisagem. Margeando o rio Mitre, pegamos a rodovia provincial nº 15, todo o trecho de terra compactada, para reencontrar o lago Argentino, desta vez até alcançar a margem do braço Rico.
Uma curva, mais uma volta do caminho e lá está ele. A chamada “curva de los suspiros” (curva dos suspiros), a primeira vista do glaciar. Desta vez não houve expressões assim, mas um silêncio expectante, como se ele tivesse nos tirado o fôlego.
Navegando pelo braço Rico
Depois da parada obrigatória para tirar fotos, seguimos um pouco mais até que o motorista anunciou que começaríamos o trekking bem cedinho. O glaciar, que avançou sobre a península de Magallanes, fechou a passagem que comunica o canal de los Témpanos com o braço Rico do lago Argentino, fazendo com que este aumentasse seu volume à razão de cinco centímetros por dia e deixando debaixo d’água o cais do porto Bajo de las Sombras. Ali nos esperava a embarcação que nos levaria até a margem sudoeste.
Navegamos aproximadamente 20 minutos, com o olhar absorto nas formas caprichosas, dobras e tonalidades das paredes de gelo de 60 metros de altura acima do nível do lago.
O glaciar a nossos pés
Chegamos à lateral sul do glaciar e descemos por uma escada improvisada. Ali nos esperavam os guias de montanha da agência Hielo y Aventura, que nos dividiram em grupos de acordo com o idioma, espanhol ou inglês. Depois de uma breve conversa no refúgio para coordenar a excursão, começamos a caminhada, primeiro por um pequeno bosque de lengas e ñires e depois pela beira do lago até a borda do gelo.
Nossa guia, Paula, para a marcha na pequena praia para dar uma explicação completa sobre as formações glaciais e sobre o glaciar Perito Moreno em particular.
Finalmente, chegamos ao setor onde nos colocam os grampos e recebemos instruções precisas para caminhar sobre o gelo. Agora, o glaciar está a nossos pés.
Um universo branco e azul
Começamos o caminho, descobrindo e explorando aquela incrível extensão branca. Inúmeras fendas, sumidouros, pequenas lagoas e blocos de gelo fragmentados chamados seracs formam um espaço indômito e fascinante. Um pouco mais, e tudo se transforma nos universos de Ray Bradbury. Brancos cintilantes, azuis profundos, cristais de luz. Pequenas cascatas embaixo de nós, fios de água pura que nos convidam a beber. Maravilhados, seguimos, sem dar descanso às pernas nem ao nosso assombro.
No ponto mais alto do percurso, todos nos viramos para ver o caminho.
Um glaciar em movimento
Parece incrível saber que, embora pareça impassível, o Perito Moreno desliza a cada dia um metro e meio no centro e 40 centímetros nas laterais, mudando sua fisionomia dia a dia e obrigando os guias a modificar o percurso periodicamente. Esse movimento não implicava avanço, porque a perda de massa de gelo na frente, recuperada com o que era aportado pela bacia de alimentação, fazia com que a relação se mantivesse estável.
Tinha passado cerca de uma hora e meia, quase sem percebermos e com pouco esforço. Atrás e à frente, o glaciar. Queríamos continuar, mas Paula nos indicou a volta. Fiquei com vontade de mais.
Um brinde sobre o gelo
Na metade da volta, uma doce surpresa: bombons, uísque e gelo, picado ali mesmo para brindar à nossa pequena travessia glacial... e ao Perito Moreno!
Encontre aqui sua hospedagem em El Calafate
Sugestões
- Minitrekking: devido ao grau de esforço e dificuldade que apresenta, esta excursão é indicada apenas para pessoas entre 10 e 65 anos.
- Big Ice: devido à exigência física e à dificuldade do terreno, esta excursão é indicada apenas para pessoas entre 18 e 50 anos e em boa forma física, considerando que se caminha cerca de 7 horas no total, entre gelo e bosque.
- Para levar em conta: NÃO devem participar pessoas com sobrepeso; para isso, serão consideradas as que excedam o seguinte critério: peso em kg superior ao dobro da altura em cm menos 100 (por exemplo, para uma altura de 1,70 m: 170 menos 100 = 70 x 2 = 140); gestantes; pessoas com qualquer grau ou tipo de deficiência física ou mental que afete sua atenção, marcha e/ou coordenação; pessoas que sofram de doenças cardiovasculares centrais ou periféricas, cujas capacidades cardíacas ou vasculares estejam diminuídas, ou que usem stents, marca-passos ou outras próteses (por exemplo: medicadas com anticoagulantes, varizes grau III, as que se mostram grossas e múltiplas, arritmias cardíacas); pessoas que sofram de doenças que provoquem deficiências respiratórias (DPOC, asma, enfisema etc.).



















