Passeios e excursões · Esquel
Recantos do parque nacional Los Alerces
Texto: Marcos Rodríguez · Fotos: José Arrieta
O parque nos permite caminhar entre troncos caídos, olhar para o alto, descobrir as copas das imensas árvores e respirar a atmosfera criada pelas plantas e pelos lagos do lugar.
Durante nossa estadia em Esquel, decidimos conhecer os imponentes lagos que o parque nacional Los Alerces abriga. Ao sair da cidade, tivemos de cruzar a zona de “ecótono”, onde a estepe patagônica se transforma em bosque andino.







O Parque Nacional Los Alerces em dados
A caminho do parque
A primeira parte fizemos pela rodovia nacional 259, asfaltada, e depois seguimos pela rodovia provincial 71, de cascalho, onde abetardas (cauquenes) e curicacas vigiaram nossa passagem. A primeira parada foi no quilômetro 70, onde conhecemos uma casa que, segundo contam a história e o mito, foi habitada pelo lendário Butch Cassidy em suas aventuras pela Argentina. Àquela altura os bosques dominavam toda a paisagem e as montanhas surgiam uma após a outra até chegarmos ao destino.
O parque nacional Los Alerces foi criado em 1937 como uma forma de proteger o bosque milenar, valorizado por sua beleza e seu crescimento lento. A beleza e a magia das diferentes cores das águas dos lagos e da vegetação foram surgindo diante dos nossos olhos em cada mirante e em recantos de sonho, e eram o principal atrativo da área.
O lago Futalaufquen
Talvez o mais espetacular de todos os lagos seja o Futalaufquen. Na margem esquerda desse espelho d’água fica a vila de mesmo nome, centro dos serviços oferecidos na área. Ali, a intendência do parque e o Centro de Interpretação ocupam um lugar especial em um edifício de pedra e madeira. Recebemos excelentes informações sobre as possibilidades de percorrer o parque nacional pelas diferentes trilhas interpretativas. Cerro Alto Dedal, Los Pumas, Cinco Saltos, cascata Tío Mindo ou pinturas rupestres são alguns dos passeios onde a flora nativa se mostra em todo o seu esplendor.
A variedade de excursões é grande. A apenas 4 quilômetros da vila, ao sul do Braço Leste (o lago tem três) fica o porto Limonao, principal atracadouro da área. À nossa frente estavam as embarcações de excursão e, atrás, a espetacular Hostería Futalaufquen.
Navegações ao alerçal e ao lago Krüger
Dali partem no verão duas excursões: ao alerçal e ao lago Krüger. Na primeira se percorrem o lago Futalaufquen, o rio Arrayanes, os lagos Verde e Menéndez e se entra no milenar bosque de alerces. Inclui uma caminhada até o lago Cisne, com vistas incríveis das geleiras do cerro Torrecillas.
Em certas épocas do ano, a vazão do rio Arrayanes é baixa e não permite a navegação. Então a lancha é tomada no porto Chucao, no lago Menéndez; é preciso chegar até lá por terra.
É preciso consultar os horários com antecedência, e recomenda-se chegar ao embarcadouro uma hora antes da saída. É necessário levar o próprio lanche, sabendo que o lixo voltará conosco.
O bosque de alerces
O bosque de alerces tem exemplares com idades de quase 3.000 anos; seus troncos grossos podem chegar a três metros de diâmetro e sua altura, a 60 ou 70 metros. O conjunto fica no limite da chamada selva valdiviana. No começo do século XX, sua apreciada madeira era usada para fazer telhas de madeira e em marcenaria. O Chile sempre a considerou o “ouro do bosque”.
Uma longa estadia junto ao lago
Na margem direita do lago Futalaufquen, entre cascatas, nascentes e praias de areia, ficam hosterías, bungalows, cabanas, campings e mercearias. Todo esse conjunto completa a variedade de atrativos e permite uma longa estadia neste recanto inesquecível da Patagônia.



















